A Aliança Terapêutica

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Dr.º Hugo Guimarães

Psicólogo Clínico

A aliança terapêutica caracteriza-se pela qualidade da interação desenvolvida no processo terapêutico entre e cliente e terapeuta. O/a terapeuta recorre ao seu conhecimento técnico para estabelecê-la, mas esta relação é determinada por outros fatores, como a natureza interpessoal do/a cliente e do/a próprio/a terapeuta.

Desde logo, o/a terapeuta negociará com o/a cliente objetivos de trabalho e lançará desafios terapêuticos que facilitem o autoconhecimento e o desenvolvimento, proporcionando condições para a expressão da experiência subjetiva e a procura de recursos disponíveis e potencialidades inatas do/a cliente. Para tal, alguns ingredientes básicos do/a terapeuta não poderão faltar nesta receita (que nunca é confecionada da mesma forma!), tais como a empatia, a aceitação incondicional, a competência e a promoção de um clima de segurança. É no espaço de consulta que o/a cliente poderá encontrar uma oportunidade para confiar e aceitar ser confortado/a.

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Contudo, poderão existir momentos de quebra na relação que poderão originar situações de impasse. O/a terapeuta estará atento/a para prontamente identificá-los, compreendê-los junto do/a cliente e intervir; porém, é fundamental que o/a cliente possa ter espaço e abertura para expressar alguma ambivalência ou insatisfação que possa, eventualmente, sentir quanto ao trabalho desenvolvido e à relação estabelecida. Na verdade, se devidamente cuidadas, estas “ruturas” poderão ser valiosas para o/a terapeuta efetuar, se necessário, algum ajuste na sua abordagem, e para o/a cliente perceber as suas necessidades, observar-se em interação e aumentar a consciência dos seus próprios esquemas interpessoais e da forma como estes influenciam o seu relacionamento com os outros.

A aliança terapêutica é, por si só, um processo que contribui para os resultados da intervenção e requer a participação ativa tanto do/a cliente como do/a terapeuta. Assim, a aliança poderá constituir um catalisador na atualização da visão do/a cliente sobre si mesmo/a e do outro em interação consigo, trabalhando-se dificuldades identificadas e flexibilizando-se o seu reportório de comportamentos e significados atribuídos.